
Aceito. Não aceito. Aceito. Não aceito.
Não, ninguém me pediu em casamento, nem nada que se pareça. Basicamente, pediram-me para que eu aceite ser explorada durante mais um ano e o pior de tudo é que eu não sei o que fazer.
Já estava mais do que decidido, na minha cabeça, que não continuaria no colégio onde estou. Gosto muito dos miúdos, mas as condições de trabalho roçam o precário e trabalho indirectamente com gente cínica, do pior mesmo.
Mas, quando anunciei a minha saída, prometeram-me um aumento. Pouco significativo, é certo, mas, ainda assim, é um aumento. Fica ainda muito aquém daquilo que está estabelecido por lei e daquilo que seria justo pelo meu trabalho. O problema é que, se eu recusar, fico desempregada! Ainda não tive mais nenhuma proposta e, nesta altura do campeonato, as hipóteses disso acontecer são muito remotas.
Continuar lá significa mais um ano inteiro a reviver aquilo por que passei durante este ano (que não foi nada agradável)... Vou trabalhar que nem uma moura, ganhar mal e porcamente, sentir-me presa e sufocada naquelas instalações, passar as horas de almoço sozinha e sei lá mais o quê que pode vir a acontecer. É possível que, pelo menos uma das adoráveis pessoas já referidas, não fique para me infernizar a vida durante mais um ano.
Recusar a proposta é sinónimo de desemprego por tempo indeterminado.
Começo uma pós-graduação no final deste ano, numa área que não tem nada a ver com a minha, mas da qual (acho que) gosto e que me parece ter mais perspectivas de emprego e de progressão na carreira; e convém pagá-la, logo, não posso ficar desempregada durante muito tempo.
E agora, hein?
Vou mas é para a praia para ver se refresco as ideias.